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DR. HOUSE

Nos anos 80 surgiu uma série de muito sucesso que entrou pelos anos 90 a dentro. Já revelarei o nome. Era sobre um homem que, do nada, conseguia resolver os problemas mais complicados de forma surpreendente.


Faz lembrar o Dr. House? Pois faz! Este herói dos anos 80 foi encarnado por Richard Dean Anderson e, tal como House, a série tinha o título da personagem principal: Macgyver.

Há primeira vista, as semelhanças são apenas duas: ambas as personagens são o título da série e ambos são homens que resolvem situações impossíveis. De resto, não podiam ser mais opostos, certo? Um é cientista, o outro médico. Um ia para países estrangeiros, metia-se em guerras no deserto, explodia aviões e era um homem simpático, ágil e de acção. O outro gosta mais é da vida cómoda e fácil: automóvel estacionado o mais próximo possível da porta do trabalho e pessoas a cederem aos seus caprichos. Não é ágil, é arrogante e ofensivo.

Mas as semelhanças entre as duas séries são mais próximas do que parecem. É ingrato falar de uma série que ainda não acabou. Se não acabou, ainda pode sofrer alterações radicais e mudar para melhor ou para pior. Mas como já está no ar há alguns anos, pelo menos sobre esse período de tempo pode-se avaliar a obra.

Então cá vai: Dr. House é essencialmente o título que tem: o doutor House. O restante ambiente criado à sua volta não vale nada. A vida pessoal das personagens secundárias não tem interesse. É pouco desenvolvida. O ambiente no hospital por vezes dá vontade de rir, de tão irreal que parece ser. Centrem-se, se mais nada vos chamar a atenção, na reacção de alguns familiares dos pacientes problemáticos de House. Agora retirem o House dessa história e vejam o que fica.

Nada se aproveita, certo?

Vamos por partes. O primeiro argumento que dei é o pouco desenvolvimento das personagens secundárias. Tomemos o grande amigo de House como exemplo. Wilson (nome certamente inspirado na mais famosa personagem secundária do mundo, cuja função era escutar o doutor Holmes, Sherlock Holmes).

Também ele médico, divorciado não se sabe bem quantas vezes, penso que uma das suas ex-mulheres só foi inserida na história para se envolver com House. Tirando isso, a personagem não existe. Ela vive e respira House. Tal como acontecia em MacGyver. Rever esta série de imenso sucesso hoje, é rir ás gargalhadas desalmadamente. Algumas cenas são bem ruins! O mesmo acontecerá com House, decerto.

O segundo argumento que dou é o ambiente hospitalar ser pouco credível. Pois assim me parece.

Os restantes “médicos” parecem ter como função andar a desfilar de bata branca pelos corredores e dizer frases com palavreado difícil. Por vezes acompanhados de House, apenas para que todas as cenas não se passem sentados num gabinete. Afinal, há que passar a impressão de ambiente hospitalar. Batas brancas e estetoscópio ao pescoço já não chegam para isso.

Outra forma de passar ao espectador a sensação de ambiente hospitalar é mostrar os exames e tratamentos a que os pacientes são submetidos. Aí pode ver-se toda a parafernália médica: as máquinas e agulhas, o sangue. O doente sempre, mas sempre tem uma crise inesperada, após conversar com um dos médicos de House que lhe faz uns exames e diz que está melhor.

Mas a maior crítica que faço nesta perspectiva, é às reacções dos familiares destes pacientes. Ficam sempre muito resignados. Demasiado tranquilos para quem subitamente vê um filho/pai/mãe/esposo/esposa/tio/tia enfim, um ente querido inesperadamente no hospital e escuta pela primeira vez, ou entende pela primeira vez, que este está ás portas da morte. Só um milagre é capaz de impedir a eminente morte. E ao invés de se desesperarem, de arrancarem o coração para fora, a reacção da maioria dos familiares dos pacientes de House, faz-me rir. Rir muito!

Se calhar sou eu que já estou avançada para a idade. Já estou a ver esta série daqui a uma ou duas décadas. Quem sabe?

Nem tudo o que critico em House é pela negativa. De positivo dou-lhe a própria personagem, porque exemplifica o que temos na sociedade de hoje. Na década de 80 talvez fossemos mais activos como o MacGyver. Mas actualmente, o comodismo parece ser a ambição da maioria. O conforto do parque de estacionamento bem perto da porta de casa, ou mesmo em cima do passeio para que se veja melhor da janela. Já poucos andam a pé e de transportes públicos poucos são os que não estão já na terceira idade.

Que House exemplifica um certo cinismo da sociedade, é verdade. Ele também gosta de marcar o seu ponto de vista usando as pessoas como cobaias vivas. Isso é interessante. De resto, gosto do trabalho gráfico de computador, que mostram o que acontece no interior do corpo humano durante uma reacção do organismo. Gosto da música do genérico, principalmente da primeira série, e do genérico em si.

Acabei de lembrar de outro defeito de Dr. House: o uso exagerado de uma “fórmula”. Tal como a série Ally McBeal (mas o que se passa com isto de baptizar uma série de televisão com o nome das personagens?) que teve cada episódio a terminar com um número musical, o Dr. House segue essa mesma estrada. E por falar em marcar um ponto de vista usando a própria experiência de vida da pessoa, em Ally McBeal a personagem de John Case fazia o mesmo. E cá está! Ally MacBeal é outro exemplo de uma série que foi interessante no seu tempo, mas que não tem nada para oferecer hoje. Foi inovadora, cativante, principalmente graças à contribuição gráfica que dava azo aos devaneios da personagem.

MacGyver, Ally McBeal e o Dr. House. O primeiro tem a habilidade, o segundo a loucura, e o terceiro tem tudo isto! Mas tal como MacGyver e AllyMcBeal vistos hoje, acredito que passado igual período de tempo, também os fãs vão rir muito do Dr. House e companhia.



English Version:
In the 80´s there was a television series of great success that lasted into the early 90´s.
It was about a man that, from nothing, was able to solve very serious problems in the most astonishing way.

Does this remind you of Dr. House? Of course! But his name was MacGyver. An athletic, charming, enchanted guy that had the ability of taking himself and others out of dangerous situations.

At first, they don’t seam to have much in common, do they? Only two things: they’re both men able to resolve difficult situations and their character’s name are the tv series title.

But is that all? Let’s see. One is, has it was said, an athletic, charming men, that happened to be a scientist. The other is a doctor, not athletic, not very charming. Is actually rude, selfish and likes nothing better than to have his way. MacGyver had is adventures in the middle of the desert, where airplanes exploded and wars were going on. House stays locked in is apartment most of the time, some of those times he should be at work.

But they’ve have more in common that one realises. Is not fair to criticise a tv series that is not over yet. It still runs, so changes are a possibility that may or not improve the product. But I make my judging through these first four seasons. Here it goes:

Dr. House is essentially that: The doctor House. The rest of the cast is nothing. They personal lives are almost inexistent. They’re not developed. Lets take has an example, Dr. House’s friend, Dr. Wilson (name inspired no doubt, in the most famous secondary character in the world, hum function was to listen to doctor Holmes, Sherlock Holmes). He’s also a doctor that happens to be divorced a certain number of times that we don’t even know. I think that, other than to be involved with House, none of Wilson’s ex or currant wifes had a part on the show. The other characters are very shallow too. They come across has dispensable in the story. Just take House out of the picture and see what you stay up with.

The other criticism I throw into the sitcom is the poor credibility I see in the hospital environment. Apart from going on the corridors showing themselves in white gowns and stethoscopes hugging in by the neck, speaking in doctor’s terms, sometimes in the company of House, there’s nothing interesting going on. Just others strolling around. And I believe this is done only because if they made every scene inside the five doctor’s office, it would look bad. Many times it makes me laugh. Especially in the scenes where we see the patients family reactions.

If nothing else appeals to your attention, center yourselves in that. For people who very suddenly see they love ones (a daughter/sun/father/mother/uncle/etc) in life or death situation, their reaction is almost every time very peacefully. They’re told that only a miracle can save they sun, and in three seconds they are resign. It sounds silly! Actually, is not credible.

Of course, another way to pass that hospital environment feeling to the viewer is to show all the hospital paraphernalia on use. The exams a patient has to make, the needles injections, the blood etc. The patient always, but always has an unexpected crises after having had a normal conversation with the doctor that exams him and says he’s much better.

This tv sitcom makes me laugh. Many times! Maybe it’s me. Maybe I’m already watching this show 10 years from now. And just like MacGyver, I laugh of the bad scenes that look fake but seemed ok back in the 80´s.

I don’t negative criticize everything in Dr. House. I give a positive reinforcement
to the character itself, because it exemplifies a lot of what we have today. People are not that active has MacGyver anymore. Maybe they never were. This days, people seem to ambition nothing more that a live of comfort. Like the car parking space really near to the building entrance, or even on the sidewalk so they can keep a closer look from the sleeping room window. Only extremely poor and old people use the public bus. No one walks to work anymore. People can be in debt more that what they cope with, but no luxury is putted aside. So House exemplifies something that this modern society created. Selfish people that have trouble relating with others. Also, House likes to make a point by using others as there on guineapigs.

Another positive thing about this series is the open titles. The graphic design is nice and the melody is catching, specially the one from season one. I also like the computer graphic contribution to the story, when it shows the interior of the human body reaction to some disease or treatment. That’s great!

But still, one thing almost left my mind, but I have to say it: Lots of times there´s too much of a “formula” to the episode. Just like Ally McBeal (what’s up with character’s names for tv series titles?), that had a musical ending to every single episode, Dr. House goes on also in this road. And speaking of liking to make a point using other people experiences has an example; in Ally McBeal the character John Case did much the same. And so, I’ve just remember another good tv series that only belongs to the seasons it was made: Ally McBeal. Very uninteresting now, but very good to watch back in its days, with a great computer graphic contribution to Ally dreams and illusions. And that it! MacGyver, Ally McBeal, and Dr. House. One had the skills, the other the craziness and the third has it all!

But still, I believe that, just like MacGyver or McBeal watched today, so will tv fans in the future will laugh about Dr. House.

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