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A Tua Cara Não me é Estranha

"A Tua Cara Não me é Estranha" é o novo sucesso da TV. A ir para o ar Domingo à noite na TVI, o programa recorre não a ANÓNIMOS para fazer imitações de artistas (leia-se cantores) mas a rostos conhecidos do grande público.

Até aqui nada de novo. Há muito tempo que a Televisão revelou instintos canibais, sobrevivendo por se alimentar recorrendo aos próprios recursos. O público, esse, já só fica em casa... a ver e a criticar. Matam-se assim dois coelhos numa cajadada só: a curiosidade interminável das massas (onde se incluem muitas celebridades) pela vida das estrelas e a "fome" desenfreada dos artistas por atenção e satisfação do ego.

Neste programa basta olhar para a plateia e é vê-los (às celebridades) a alinharem-se em filas de espera, já a sonhar com o estar também ali, debaixo das luzes dos holofotes.

Mas o SUCESSO de "A Tua Cara não me é Estranha" não está nesta fórmula. O que distingue este programa de outros é que tudo é feito com HUMOR. Ali contam-se piadas, ninguém é excessivamente sério, nem o júri, nem os concorrentes, nem os apresentadores. Existem  improvisos e todos estão à vontade para dizer o que quiserem e como quiserem. É como estar a conversar com a família em casa. Sempre surgem piadas em que todos riem e que no decorrer do dia ainda originam outras piadas. Tudo é informal e reina a boa disposição. Assim é o programa. E é por esta razão que faz sucesso. Merece, por isso, ser designado por programa de puro entretenimento.


CARIDADE
Falando de outro aspecto do programa: como muitos do seu género, este também não põe os famosos em competição entre si. Seria muita falta de tacto. Eles sobem ao palco para imitar outro artista e são pagos para isso, mas o que ganham verdadeiramente é uma oportunidade única de projecção da sua imagem aliada à possibilidade de duplicar ou triplicar convites de mais trabalho. Quanto ao prémio do concurso em si, em cada edição este reverte a favor de uma instituição à escolha do artista. Nunca se sabe bem em que consiste ou em quanto consistem estes prémios, porque não se desenvolve quase nada essa parte do programa (que supostamente devia dar o MOTE à sua existência) e até é nessa altura, na entrega do prémio a uma instituição à escolha, que os apresentadores relembram os concorrentes que "têm de se despachar" porque "não têm mais tempo". Sobre os prémios, geralmente sabe-se simplesmente que "revertem para...".  E assim se tem safado a televisão, sempre.

Neste caso, o valor da doação é apenas de 1000€. Sei-o porque me concentrei no cartão que os concorrentes seguram em mãos e pareceu-me ser esse o montante impresso. Uma quantia que me parece sempre muito pobre para qualquer programa de TV, ainda mais um que beneficia de chamadas de valor acrescentado. Bem sei que mais vale algum do que nenhum e toda a ajuda é bem vinda, mas a "caridade" em programas de TV é mais um pretexto que um objectivo.


IMAGEM
Claro que o que se deseja projectar quando se faz qualquer programa que «visa» ser para caridade (sabemos muito bem que não é por isso que se faz TV), é que reina a harmonia entre todos os participantes. Falo de todos mesmo: desde a produtora, à estação de televisão, ao júri, aos concorrentes até aos profissionais que estão ali a ensinar como se chega a uma imitação perfeita (CC). Num programa de CARIDADE não existe competição. Nenhum famoso está ali a competir com outro... seria escandaloso. Ou será que está?

Claro que estão.

Se o próprio júri e os apresentadores usam adjectivos como "vencedor" para avaliar a prestação dos artistas, então deitam por terra o conceito de «não competividade» que devia ser o do programa. Para existir um vencedor, têm de existir perdedores. A palavra em si já remete o espírito dos participantes para a competição. Acredito que nem todos ali se deixem levar por essa emoção primária, mas são poucas as pessoas que se encontram verdadeiramente evoluídas nesse sentido. Certamente, muitas outras não sabem erradicar a competividade da sua pessoa. E com esta vem a inveja, a maldade, a maledicência...


UM EXEMPLO
Segundo a capa da revista TVGuia desta semana (nº 1731), uma das participantes - a cantora Romana, anda com problemas pessoais e familiares (quem não os tem?) e também tem problemas com o programa. aparentemente, decidiu trazer estes últimos a praça pública.

Vem escrito na capa da citada revista chamadas de atenção como «os ataques do júri», «a loucura por João P. Rodrigues» e como isso afecta a concorrente e, para colmatar surge entre aspas, no que supostamente deve de ser uma sua citação, esta pérola: "Isto já está feito para alguém ganhar".

Eu bem sei que não se deve acreditar em tudo o que as revistas escrevem. Principalmente capas e em particular nestes últimos tempos, a TVGuia... Mas às vezes, no meio de invenções aparecem algumas verdades. E se formos a levar em consideração o comportamento da claque de apoio da Romana durante as considerações do júri Luís Jardim, que começa logo a vaiar o que o homem diz à mínima crítica aparentemente não-positiva e a expressão da própria Romana, que faz a vaia «a brincar», há que pressentir aqui uma pontinha de verdade.

Ler esta capa deixou-me triste. Ali escarrapachado vem a Romana que conheci no BBFamosos. Uma miúda que se aliava aos de pior índole, revoltada, a arquitectar jogadas para prejudicar terceiros, cheia de lamurias e a se vitimizar. Eu queria apreciar a artista de valor que ela é pela voz que tem e sempre teve, mas a pessoa por detrás da poderosa voz não parece tão bonita quanto isso. Claro que  estou a fazer a MINHA apreciação pessoal no meu blogue e ainda não fui espreitar o interior da revista, porque nem quero me debruçar muito sobre este assunto. Mas este é um OUTRO LADO do programa, o lado da FAMA e da INTRIGA, que também tem aqui lugar.

Pobre João Paulo Rodrigues que aparece na capa da TVGuia só para ilustrar uma calúnia... Ele que não tinha até agora provado do fel da celebridade, pode ficar com a cabeça a prémio, se não se pôr à cautela... :)
Até parece que ter talento é crime. Não é, mas a inveja que desperta pode ser muito nefasta. Como disse o António Sala, o imenso talento do João Paulo Rodrigues aliada à surpresa que foi para todos descobri-lo, fá-lo parecer um grande «chato», de tão bom que é.

A humildade que se observa mais natural em alguns destes artistas é um refresco para a alma. Acredito que o João Paulo Rodrigues (JPR), assim como a Maria João Abreu, o Toy, o Mico, o Vintém e também a Sónia Brazão, sabem estar ali para tirar o melhor proveito da experiência e dar o seu melhor, sem deixar que sentimentos de inveja e ambição interfiram no relacionamento com os restantes. Não se devem criar demasiadas expectativas numa participação em televisão. Alguns vêem o programa como uma rampa de lançamento ou recauchutagem, querem ser conhecidas e elogiadas, querem mudar o rumo da vida e vêem em tudo isto um último grande recurso imposto até pela idade e é bom que não se atravessem à frente. Ao tomarem a coisa tão pessoal, estragam tudo.


No somar de tudo, o resultado de "A TUA CARA NÃO ME É ESTRANHA" é uma noite de pura diversão. Com ele dou umas valentes gargalhadas, muito à pala do Sala, do Zé, do Luís, do JPR, do Mico, do Toy e da Maria João, pessoas que sabem fazer chalaças e ter humor. 

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Querido, Você, está bom?

Como muitos outros, também eu já candidatei a minha casa a este programa. Afinal de contas, quem não gostaria de ver uma divisão remodelada?

O desejo é antigo: vem desde a exibição dos primeiros programas do género nos canais da Tv por cabo. Em programas como “Durante a Tua Ausência”, “Changing Rooms” ou “Debbie Travis”, esta última um pouco afectada no ego, mas com conhecimento na matéria. Todos diferentes, todos sobre o mesmo. E depois chega um programa deste género a Portugal. E o sucesso é imediato.

Quero lançar a ideia a outros canais. Nomeadamente à TVI. Deviam adoptar um programa dentro do mesmo género. Há claramente mercado e sucesso garantido. Algumas mudanças, um formato diferente e ao invés de colocar as pessoas a cantar e a dançar (nunca tive pachorra!) por nada ou para casar, porque não colocá-las em competição para a remodelação da casa? Fica a ideia, contem os tostões, e façam as contas. Depois quero uma percentagem!
Voltando ao querido, o programa estreou, se não estou em erro, em 2000 no canal Sic Mulher. Teve sucesso instantâneo e está presentemente na 7ªa temporada. Embora me agrade bastante o tema, vou confessar uma coisa: não consigo ver o programa! Porquê?

Porque a sua linguagem incomoda-me! Mexe com a minha sensibilidade televisiva, se assim o quiserem pôr. Algo no programa, de princípio ao fim, me desagrada. Causa uma espécie de urticária mental. A começar pela forma de falar dos intervenientes:
-“Então Sofia, está boa?”
-“Estou sim, e você Sofia?”


Algo neste género. É extremamente enervante e apetece, não sei, mas apetece-me esticar e enfiar os braços no ecrãn a dentro e abanar as figuras a ver se falam de uma forma menos afectada. Alguns, lembrando-se das rábulas do Hérman, certamente ligariam uma coisa há outra.

Depois vem a estrutura do programa. Sempre aquela musiquinha enjoativa com os mesmos movimentos de câmera, o mesmo estilo de edição e pior: intervenções injectadas pela apresentadora onde é debitado algum texto que mal conseguiram memorizar e que decerto necessitou de vários takes.

Elas, maquilhadas e todas queques, a “ajudar” para o espectador ver, envoltas em tarefas mínimas e a dizer com o olhar na lente, o quanto é vital alinhar todos os parafusos. Estão ali, a desempenhar uma personagem, que supostamente não se importa de meter as mãos em obra, sujá-las e sujar-se. Mas passam sempre a mensagem contrária. Se partirem uma unha aposto que cai o céu e a trindade! Ou daí fazem um enredo. É a sensação que me passa.

Nos primeiros programas o excesso de propaganda também dificultou o acompanhamento. Além disso, os “estilos” decorativos pareciam limitados aos produtos de uma ou duas casas, do género “Loja do Gato Preto”. Quem tivesse uma casa remodelada no estilo moderno, levava sempre com o mesmo tipo de mobiliário. Depois o programa sofreu mais umas alterações, incluiu mais decoradores e diferentes estilos.

Embora não o consiga acompanhar e este realmente me desagrade muito, muito, muito, é só a minha opinião. Veja aqui outra referência ao programa na perspectiva comercial, escrita por Eduardo Cintra Torres: http://static.publico.clix.pt/tvzine/critica.asp?id=2665
E você? Tem uma opinião?

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