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Sessão Nostalgia CLÁSSICOS da TV

Graças ao fantástico youtube relembrei mais de duas dezenas de séries que em tempos vi com deleite. Algumas talvez tenham sido um privilégio de poucos na altura (década 80), pois devo-as ter visto no Sky channel ou mais tarde no super-channel ou outro canal semelhante que captava por parabólica. Muitas não recordo se também vi na rtp - pois só existia RTP, com legendas, ou se vi num dos 8 canais de satélite, sem legendas. Nem 15 anos tinha, mas eram uma maravilha de assistir. Para os que não viram, deviam ver. Deviam voltar a exibi-las. São tesouros. E o que é melhor: estão muito bem feitas, mesmo para os padrões dos dias de hoje. Quem AS viu ficou bem servido de boa televisão! (pobre geração de BBs...)


MR. ED (1961 - 1966 - CBS)



I LOVE LUCY (1951 - 1961 - CBS)
- Não era das favoritas mas dava para divertir -


O FUGITIVO (1963 - 1967 - ABC)
Esta lembro perfeitamente de assistir na RTP
Primeiro a preto e branco, depois a cores. 

Foi a primeira série "pastilha elástica" que assisti - pois já se adivinhava que em cada capítulo o protagonista acabava por escapar aos perseguidores. Mas era tremendamente empolgante e tinha viradas na trama que tornam até injusto que a integre na categoria "pastilha elástica" pois a trama estava bem escrita e por vezes fazia duvidar. "Como é que ele vai escapar desta"?. Partindo do pressuposto que Richard era injustamente perseguido, a série desenvolve-se em torno da sua incessante procura por provas da sua inocência, ao mesmo tempo que persegue o suspeito de ser o verdadeiro assassino: um homem maneta. O olhar sofrido, injustiçado e cansado do actor David Jansen conferiu à personagem muita autenticidade.

A história é baseada NUM FACTO REAL - o que a tornou tão mais apelativa. Se bem que a vida não foi tão simpática com o verdadeiro doutor Kimble, a quem assassinaram a esposa. Ele foi considerado culpado e só muitos anos mais tarde, já a ocupar um talhão no cemitério é que recebeu do estado dos EUA um pedido de desculpas e a exoneração.
Em 1987 sintonizava a televisão para ver isto, TWILIGHTZONE e HITCHCOK APRESENTA.


A QUINTA DIMENSÃO - P/B e cores
(1959 - 1964 )


E, claro, logo a seguir "OS LIMITES DA REALIDADE"
(RTP) 1963 - 1965


ALFRED HITCHCOK APRESENTA
Como eu vibrei a ver esta série! Alfred Hitckcock era simplesmente genial na sua forma de contar uma história e a apresentar. Mesmo no final ficava-se agarrado ao televisor para assistir à conclusão de Hitchcock - uma espécie de fecho moral e humorístico. 
Uma pessoa ficava a reflectir no que assistiu. 

E não consigo agora ficar mais tempo à procura de vídeos destas muitas séries, mas posso numerar mais umas tantas: CAROL BRUNET SHOW, BENSON, MAUDE, ALL IN THE FAMILLY, THE JEFERSONS, COSBY SHOW, DIFFERENT STROKES, PERFECT STRANGERS, WHO'S THE BOSS, CHEERS, THE FACTS OF LIFE, THE INVADERS, FAMILY TIES, "V", BUCK ROGERS NO SÉC. XXV, ESPAÇO 1999, O HOMEM DA ATLANTA, BATLESTAR GALACTICA, MANIMAL, STAR TREK, TAILS FROM THE KRIPT, FALTY TOWERS, THREE IS COMPANY, A-TEAM, MACKGIVER, SLEDGE HAMMER, TAXI, THE BRANDY BUNCH, UMA CASA NA PRADARIA, DALLAS, DINASTIA, O SANTO, A SUPER MULHER, THE STREETS OF SAN FRANCISCO, HAPPY DAYS, GET SMART - OLHO VIVO, OS VINGADORES, BEWITCHED - CASEI COM UMA FEITICEIRA, STREETS OF SAN FRANCISCO, THE RIFLE MAN, KUNG FU, MOONLIGHT (Modelo e Detective), DEMPSEY AND MAKEPEACE, VERÃO AZUL, I'LL TAKE MANHATAN, ALF, SOAP (brilhante novela), SARILHOS COM ELAS, NIGHT COURT, DEAR JOHN, etc, etc, etc...

Afinal, nem nomear todas que vi sou capaz, por enquanto. É tarefa dantesca! São tantas que se torna monótono descobrir todas. Lembro de algumas cujo nome me escapam como uma britânica em que duas crianças eram capazes de viajar no tempo ao descobrirem num jardim um relógio de sol (sun clock?), outra americana com um jingle que era o título da série em que uma família tinha um filho a crescer com a condição de trissomia 21, outra estrelada por Leonardo Di Caprio em criança que quase recordo o nome (Ah! Growing Pains) e são tantas que passaram nessa prolifera década de 80, que até parece que ao invés de uma estação de televisão, existiam dezenas! Para recordar os melhores jingles - alguns dos quais fui tentar reproduzir nas teclas do piano - aqui fica um vídeo que encontrei.



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A família Bellamy



"A família Bellamy" (Upstairs-downstairs) não é uma série nova, oh não! Foi feita nos anos 1970-75 mas ainda assim, esta soberba série que começa no início do século no qual muitos de nós nascemos e do qual nos despedimos há 12 anos, ainda vai atravessar a primeira guerra mundial e também ultrapassá-la. É a melhor coisa a passar na televisão actualmente. 

Bom, diria-se, pelo retrato detalhado da época Eduardiana (UK, 1901-1910), que a série é uma adaptação de uma obra literária qualquer, mas NÃO. Na realidade, a série deu origem a obras literárias. Tem essa característica tão singular também a torná-la especial entre as demais. Upstairs-Downstairs, a passar na RTPMemória aos fins-de-semana, é uma ideia original de duas actrizes britânicas e remota ao final dos anos 60. Mas se pensam que isto a torna antiquada, oh, como estão enganados!


Ver a “Família Bellamy” é reflectir constantemente sobre a humanidade. O ser humano é o que está a ser retratado nesta série que mostra o quotidiano de dois núcleos distintos: uma família abastada e os empregados que a servem, na época de entrada do séc. XX, que marca o fim do reinado da Rainha Vitória de Inglaterra. Quando a Índia era uma colónia britânica e lutas eram travadas alem-mar.

É um fascinante retrato de pessoas, deveres, responsabilidades, orgulho, papéis sociais, sociedade, etc… Tem personagens verdadeiramente ODIOSAS (Elizabeth, Arthur) e outras que estão sempre a surpreender e nada, mas nada é estereotipado. Cada uma é profunda e com muita história para contar. São feitas referências a hábitos da geração anterior, educados na época Vitoriana, como por exemplo, o uso do espartilho ser essencial a uma senhora. Vemos o sistema de comunicação de sinos e campainhas utilizados entre patrões e empregados ser substituído pelos fios eléctricos, e o gás dar a vez à eletricidade. Uma sociedade diferente nos costumes e, no entanto, tudo é tão igual ao que sempre será e ao que ainda é hoje.


Chorei ao ver os capítulos que foram para o ar neste último fim-de-semana. Nenhum criou uma situação trágica ou de choro. Apenas retratou realidades tão transversais no tempo que suscitam emotividade. Como por exemplo o relato que a Ms. Bridges, a velha cozinheira, faz sobre o momento em que começou a trabalhar naquela casa, mais de 30 anos antes. Conta ela que os patrões nem reconheceram o seu esforço na preparação de um molho para o jantar, pois era apenas ajudante de cozinha e teve de substituir subitamente a cozinheira que caiu morta no chão. Os patrões mandaram o molho para trás, argumentando que estava com grumos, ao que a cozinheira conta: “Como não havia o molho de ter grumos se tivessem de o preparar diante do olhar gelito da defunda caída ali no chão?”. 

Outra situação é o nascimento de uma criança, o que conduz ao chamamento da ama que criou todos os bebés naquela família. A senhora, que começou menina mas que estava já idosa, havia perdido capacidades cognitivas e de coordenação, mas recusava-se a admiti-lo porque ser AMA de bebés foi o que sempre definiu a sua existência e a utilidade que tem na vida. Ver a senhora idosa a reclamar dos costumes terem perdido o rigor de outros tempos ao mesmo tempo que tenta estar à altura dos mesmos é, a meu ver, bastante emotivo. Saber que a cozinheira ou qualquer empregado trabalhava até morrer, é emotivo. E daí dizer que esta é uma série que retrata essencialmente, o ser humano.

Seria um erro julgar que a série cai no retrato estereotipado dos patrões arrogantes que não têm consideração pelos empregados e que esta cozinheira não gosta do que faz nem dos patrões que tem. Neste período a sociedade tinha hierarquias melhor definidas, onde as funções de cada indivíduo estavam bem organizadas e, como tal, para se chegar a cozinheira digna desse nome, começava-se por baixo e só com provas dadas de qualidades especiais é que se progredia. É o mesmo que se passa hoje com quem quer chegar a chef. E a mágoa que a cozinheira sentia por ver um prato por si confeccionado não ser apreciado, suspeito que é equivalente. A diferença é que na altura qualquer insatisfação por parte dos patrões podia dar motivo a despedimento e o medo dessa consequência e a resultante miséria fazia o empregado ralar-se mais. Também, os pobres trabalhavam muito e ganhavam pouco, não conseguindo nem sobre extrema poupança e  no final de suas vidas, juntar dinheiro suficiente para o que fosse. Hoje e graças a sindicatos e afins, é o oposto. Numa cozinha actual, o chef é a maior autoridade e é o único que se pode dar a ares de arrogância e prepotência, que pode humilhar e subjugar os subalternos e ganha balúrdios de dinheiro, não temendo tanto o despedimento, mas fazendo com que temam que se demita. Diferençazitas… enormes.  

Entre os retratos sociais, existe também uma descrição das mudanças tecnológicas e comportamentais. A electricidade que veio a substituir o gás na iluminação das casas, os fios que faziam campainhas tocar que passaram a ser eletricos e todas as regras domésticas, desde a forma como se deve manter e tratar de uma casa, aos empregados de que necessita, à limpeza das superfícies, ao engomar dos tecidos, à confecção da comida, à preparação da mesa ou das toilettes. Todas as funções serviçais estão ali retratadas com primor, não fossem estes os principais inspiradores que motivaram a criação desta notória série. 


No que respeita a comportamentos, Elizabeth, a filha do casal Bellamy, prepara-se para entrar na maioridade ao completar 21 anos. Julga-se, como habitualmente os jovens se julgam, mais liberal que os pais, mais certa das suas convicções. Mas é um exemplo raro de pedantismo disfarçado de revolucionarismo. Quer ser liberal, julga-se assim, pretende quebrar com as regras da sociedade, ser amiga dos empregados, mas acaba é fazendo uma grande confusão, existindo mesmo episódios em que destrata o semelhante e desrespeita os empregados tratando-os com petulância e altivez. Ela é tão rebelde que foge de casa para se juntar a um poeta recusando-se em reconhecer qualquer utilidade no casamento. Deixa de falar à mãe, revolta-se contra os pais, sem perceber que os faz sofrer.
Elizabeth mostra-se indiferente à filha
Acaba casada com o poeta revolucionário, mas a vida dá-lhe uma lição inesperada: afinal, o poeta revolucionário não é tanto assim, nem as coisas são tanto assim, nem ele é muito chegado a mulheres como aparentava. Elizabeth acaba por engravidar de um conhecido do marido, numa situação gerada com primazia, pois tem a cumplicidade dos três. Depois de ter a criança também não parece muito satisfeita com isso. Enfim, Elizabeth é como inicialmente retratei: uma personagem que como as outras tem muita profundidade, mas o mais interessante é que tenta ser o que não é e revolta-se contra os que supostamente são aquilo que considera errado, acabando por fazer o que critica.

Para não mais me alongar, resta revelar que esta encantadora e didáctica série durou cinco temporadas e se todas tiverem a mesma qualidade, é sem dúvida, uma série imperdível para qualquer apreciador de bons momentos televisivos. Em 2010 a BBC_one voltou a filmá-la, com novas personagens, ambientada no ano de 1936 mas situada no mesmo endereço Londrino: 165 Eaton Place.


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Mister ED - a horse is a horse, of course, of course!



No final dos anos 80 ou início dos anos 90 tive o privilégio de assistir a uma comédia americana de sucesso de nome Mr. Ed. A passar a preto e branco na minha televisão a cores e feita entre 1961 e 1966, não recordo se a vi por ter sido transmitida na excelente RTP2 ou se foi num dos canais estrangeiros que tantas sitcoms me apresentaram, às quais tinha acesso por ter na altura televisão via antena parabólica. 

Entre a televisão de dois canais do Estado e o aparecimento dos canais Privados de televisão em 1992/93, existiu um período de televisão por satélite que facultou a muitos cidadãos o acesso a outros programas, noutras línguas e sem legendas, claro está.

Um desses deve ter sido Mister ED. A história é básica mas nem por isso deixa de manter o interesse e de estar minada de situações caricatas, críticas e bons diálogos. Mr Ed. é um cavalo. Mas não um cavalo comum, uma vez que ele… FALA! Isso é explicado logo no genérico/abertura onde, apenas com dois planos (!) a cabeça de Mr. Ed surge na imagem, abre a portinhola do estábulo e diz, movendo os lábios: “Olá! Chamo-me Mr. Ed”. 


É aqui que entra o jingle e surge a cativante letra que ainda hoje ressoa na minha memória: “A horse is a horse, of course, of course, and no one can talk to a horse, of corse. There is, of course, unless the horse is the famous Mr. Ed! Go right to the source and ask the horse, he'll give you the answer that you endorse, he's always on a steady course, talk to Mr. Ed".  . ....ED
Ed a ler as notícias
Gostava de poder rever esta série. Provavelmente não teria o impacto de então mas certamente que ainda lhe encontraria os mesmos atractivos. Entre algumas gargalhadas e algumas interrogações do estilo “como fizeram isto?”, acho que um episódio de Mr. Ed ainda chega ao fim deixando o espectador feliz e entretido. O cavalo-falante (Ed) só falava com Wilbour (Alan Young), seu proprietário que o encontrou no estábulo quando comprou a casa. Para todos os restantes ele era um cavalo comum, mas para Wilbour ele era um animal com gostos e problemas muito humanos. Mr. Ed gostava de assistir televisão, queria apaixonar-se, partir em aventuras, etc… Precisava mesmo rever algumas cenas que me escapam à memória. Uma que tenho na cabeça devo-o a um documentário onde surge Clint Eastwood a participar na série. Eis um trecho da série Mr. Ed (com Clint Eastwood, a quem alguns cibernautas encontraram uma incrível semelhança com Hugh Jackman como Wolverine em X-Men). . ED
ED . *  *  * * * *  * MR. ED  * * * * * *  *
Trivia: 
1* Inicialmente a boca do cavalo era posta a mexer recorrendo a fios de nylon. Com o tempo e já na segunda temporada, “Ed” (Bamboo Harvester) aprendeu a mexer os lábios sozinho, bastando para isso que o actor com quem contracenava (Alan Young) parasse de dizer as suas falas. 
«Como humanos, Alan Young e Connie Hines,
que faz de sua esposa, têm de estudar o guião»
Bamboo Harvester morreu aquando reformado, após lhe ter sido erradamente administrado um tranquilizante. É atribuída a identidade de “Ed” à morte posterior de um outro cavalo, o que fez as fotos de estúdio para os posters para a série mas, de acordo com Alan Young, o cavalo «actor» não era esse. .
2* Uma das mais-valias da série é, sem dúvida, o facto do cavalo Ed falar. Claro está, podiam recorrer a truques para fazer o cavalo mexer os lábios mas dar-lhe voz, isso é que não… Foi preciso usar a de uma pessoa para se escutar o cavalo. Essa pessoa foi o actor Allan Lane. Estranhamente e só podia acontecer nesse tempo, o actor JAMAIS viu o seu nome na ficha técnica. Na realidade, nem o “cavalo-actor” Bamboo Harvester (Mr. Ed) recebeu reconhecimento, uma vez que o seu nome não surge no genérico. Detalhes que hoje recebem especial atenção, para que ninguém envolvido num projecto criativo se sinta excluído dos agradecimentos.  

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