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Cheaters - infidelidade no flagra com câmaras por perto

Decerto quem vê regularmente TV ou se interessa por programas que de algum modo fazem furor por este mundo a fora, já viu ou ouviu alguma referência ao programa que sdá pelo nome Cheaters" agora a passar em Portugal no canal de cabo CBS Reality.

E assim sendo sabe que o programa é sem tirar nem por o que o nome já diz: Parceiros que traem o outro parceiro. Aquele que está desconfiado contacta o programa de TV que por sua vez segue e monitoriza a pessoa suspeita filmando e registando tudo. Depois quando sabem que podem contar com o reforço de um flagrante filmado, abordam o queixoso, revelam-lhe as descobertas e partem para a confrontação. Namorados e amante, todos os lados dos triângulos se encontram pela primeira vez.

E aqui pergunto: MAS PORQUE É QUE A PESSOA QUE SE SENTE TRAÍDA ATIRAR-SE AO AMANTE??



A sério, não entendo. A menos que este/a seja um grande idiota e provoque a vontade de plantar um soco para a sua voz parar de atrapalhar, não entendo sequer a sua relevância. Existindo amor entre duas pessoas, ao descobrir que esse amor foi traído, o PORQUÊ deve ser a primeira pergunta a precisar de resposta. Quero dizer, entender deve ser a necessidade primária. Ir para as fuças de quem nem se conhece? Acho que faria mais sentido partir para cima da pessoa que se ama e que traiu esse amor e não ir atrás do "outro", que pode ser qualquer um. Às vezes, até pode ser só mais um... é um insignificante.

Vi poucos destes programas e bastam-me uns para entender o conceito e tirar ilações. A primeira que tiro é que escolheram muito, mas muito bem o homem que apresenta e orienta o programa. Ele consegue ter a postura adequada para cada situação e apresentar os factos de uma forma que não deixa transparecer juízo de valor mas ao mesmo tempo parece apoiar cada um dos intervenientes. De vez em quando durante os confrontos ele sabe dar uns bitaques certeiros, mas continua a não ser partidário. É uma espécie de «consciência» mas sem meter mais lenha na fogueira (não precisa, a própria situação e estrutura do programa já é incendiária o suficiente).


A segunda é que sabe-se quem as pessoas são, por vezes mesmo antes de se saber o desfecho e se aprende sobre a natureza humana vendo cada uma destas pessoas, seus maneirismos, comportamentos e argumentos. Existe aquele que é enganado mas que não é exactamente imaculado de culpa no cartório. Existe aquele que é enganado e que se nota que o iria ser para todo o sempre e existe aquele otário que faz um grande show off das suas suspeitas de traição, insuflando o peito e garantindo que «faz e acontece» e quando em confrontação, não diz nada de jeito, não tem amor pela pessoa e aquilo foi mais uma forma de sair por cima de uma relação, humilhando o outro lado.

Aliás, o pedaço que vi agora foi assim. Um rapaz que já no vídeo de apresentação das suas suspeitas de que a namorada o trai surge a falar cheio de cagança, dizendo que «faz e acontece» se apanhar a namorada com outro. Logo aí achei: "não fazes é nada!". No momento da confrontação este «traído» nem três palavras coerentes lhe saíram da boca. A sua ira parecia circunstancial, não emocional. Avança para o outro tipo, que apanhou em cima da namorada, dá-lhe uns fracotes encontrões e nesses momentos iniciais é praticamente dominado pelo indivíduo. Só quando o amante sai de cena é que o «traído» o segue pelo parque de estacionamento para se armar em vitorioso e gritar mais uns tantos palavrões em voz alta. Mas claro, ficou fácil depois do outro virar as costas... (esse outro desconhecia que se estava a envolver com a namorada de alguém).

Mas não termina aqui. A sua indignação como já disse, não parece sentida. Não tem um comportamento de quem foi emocionalmente ferido. E claro, a atitude da namorada é acusá-lo de a ter traído primeiro. Isto tudo entre poucos argumentos e muitos palavrões (que o editor de som tem de tornar mudos um a um). A resposta deste ao ser desmascarado é: "E tens provas? Eu tenho provas." (gesticulando para as câmaras) - lol.

Vai que aparece uma vizinha. A vizinha do lado com quem a namorada diz que ele andou metido "Nem sequer vais procurá-las longe" - diz ela com alguma verdade. A vizinha defende a rapariga, mete-se entre os dois e é afastada pelo rapaz "cagão" com um empurrão na face vezes e vezes sem conta. Só isso já indica o pouco respeito que um homem tem pelas mulheres em geral. Afastá-las metendo-lhes a mão na cara e empurrando-as... Ainda por cima este namorado traído e revoltado, tinha «pinocado» esta vizinha na noite anterior. Umas meras 24 horas! A sua «reacção» a este novo facto é: "E tu gostaste".  Pobreza de espírito e nenhum discernimento reinava por ali. Para colmatar a cereja em cima do bolo é a suspeita de que afinal o rapaz «traído» e assiduamente traidor, que chamou o Cheaters para descobrir a verdade sobre a fidelidade que cobrava mas não oferecia, podia também ser gay e na realidade se interessar sexualmente por homens. WTF...?? (piiii)


Mas um dos casos que vi e achei fascinante - calhou ser o primeiro que acompanhei. Um marido procura o Cheaters para saber se a esposa o trai. Eles têm uma boa vida financeira, uma boa casa, carros, dinheiro, ele gosta dela, diz que o que mais gosta nela é que ela está sempre bem arranjada, tem boa aparência, um cabelo tratado, enfim, cuida de si mesma e ele gosta disso. Diz que não lhe falta nada, namorados de liceu que se casaram cedo, ela ficou em casa sem trabalhar - ambos concordaram com isso já que ele ganhava bem pelos dois. Mas a mulher andava diferente, não demonstrava tanta vontade de o ter por perto, parecia distante e ficava muitas vezes fora de casa até tarde da noite, em saídas com amigas.

Lá vai a equipa dos Cheaters seguir esta mulher. Linda, bem apresentável, andava na companhia de um homem mal vestido, que se veio a descobrir não ter emprego nem posses e vivia num contentor como o sem abrigo que era. Ao volante do carro dela, um mercedes, este homem pára num beco, sai do carro, sobe para dentro de um contentor de lixo e remove do interior algumas coisas, entre as quais um casaco de peles roto. Coloca-o às costas da mulher, que o abraça e beija, aparentemente feliz. E os dois seguem caminho até o contentor/moradia, onde fazem amor num colchão improvisado.

E é neste ambiente que se dá o flagrante. O marido ao perceber que está a ser traído e que o outro é um sem abrigo, acho que aquilo foi um golpe tremendo para a sua vaidade. Ele dava-lhe tudo e ela trai-o com um tipo que nem tem casa onde morar e sobrevive de comida do lixo?

Na confrontação sente-se que existiu em tempos uma união de amor e esperança mas estava agora alterada por uma barreira entretanto erguida que nenhum conseguia derrubar. Existia uma falta de diálogo por, a meu ver, o homem ter ideias muito fixas e não entender que a abordagem para o entendimento devia ser escutar. A esposa dizia-lhe que ele não a escutava. Ele dizia que ia escutar mas o seu comportamento fugia sempre para a acusação e para o "eu". "não te dou eu tudo?", "não tens tudo o que queres?", "já te neguei alguma coisa?" - ela a querer falar de emoções, ele a falar de bens materiais, de estatus e a não entender que já estava a tratá-la como um objecto fazia algum tempo.

Mas ela ainda lhe deu uma chance de falarem. Aceitou ir para dentro do carro com o marido, para conversarem. Só que este não soube ouvir o que ela estava a tentar dizer. Que ele não lhe dava atenção, que chegava tarde a casa, que ela se sentia sozinha e que precisava de se sentir amada, que não foi aquela vida que eles tinham prometido um ao outro, que ela não liga para dinheiro. Mas ele não ouviu e argumentou exactamente o dinheiro que lhe dava para andar bonita, ir ao spa, conduzir um mercedes...

Nesse instante em que percebe que os seus argumentos vão continuar a não chegar até ele a esposa decide sair do carro, dando a conversa por terminada. O marido tem então um gesto que infelizmente é baixo: exige-lhe que lhe devolva a chave do carro que foi comprado com o dinheiro dele. E quando a esposa lhe dá a chave e a aliança e se prepara para sair da viatura ele agarra-lhe o casaco e diz-lhe que também é dele. Ela aceita sem pestanejar que este lhe remova o casaco e lhe devolva a nudez. A mulher tinha sido flagrada em pleno acto sexual, estava nua, no meio da rua, com as câmaras a filmar a discussão e a nudez. Calhou às tantas o marido lhe estender o casaco para que se cobrisse. Mas já que ela lhe virava as costas, ele reclama-o de volta. É mesquinho. Mas pronto, no calor do orgulho ferido, as pessoas podem ser baixas nas atitudes. Cá fora, o amante, num gesto rápido e protector, pega-a ao colo e leva-a de volta para a «nossa casa».

De facto não dá mesmo para adivinhar quem as pessoas são pela aparência. E por vezes nem pelo lugar onde estas moram dá para supor que o carater é tão feio quanto os lugares. Ou tão bonito...


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Vi e gostei!

Percebe-se de imediato que a ficção portuguesa tem futuro, pernas para andar e asas para voar quando se depara na televisão com um filme como "Assim, assim".

Deixem-me primeiro fazer a primeira (e injusta) crítica. Quando escutei a promo do filme pensei desta forma do título:

-"Assim, assim? Mas quem é que dá um título destes a um filme? É que já está a conotá-lo e a condená-lo a uma avaliação. O que achas do filme? É assim-assim. Gostas-te? É assim-assim." - péssimo título. Tão mau como comer, amar e orar - embora este ainda suscite mais interesse. Mas como faz a "sinopse" de toda a história, nem dá gosto de ir espreitar, já revelou tudo. Entendem? Mas isto é a minha opinião sobre o TÍTULO das obras. E mantenho-a.

Agora, como também não se avalia um livro pela capa, o mesmo se pode dizer de um filme pelo título. E este "assim, assim" (ainda me custa pronunciar um título destes, só calhava bem a uma comédia disparatada) é bem bom. Ora, aqui está um título mais adequado (embora soe mais a filme maroto ou, claro, "comédia disparatada")

Os diálogos não são bons. São perfeitos. Uma cópia perfeita das muitas e muitas conversas que ocorrem por este país numa cidade cosmopolita. Para as várias situações retratadas a avaliação é a mesma. Tudo começa com uma conversa de esplanada, entre mesas diferentes. Alguns suspeitariam que se trataria de um casal mas obviamente existem "n" casos iguais e só no final o autor esclarece de vez a dúvida. Segue-se um interessante relato em volta da palavra "foder" - bom, não é bem assim mas não quero relatar cada história retratada no filme. Achei uma graça particular à cena no consultório médico, pela fidedignidade retratada. Adorei a treta do "racismo", da homossexualidade e da infidelidade. Em suma: são diversas situações interessantes, todas elas conversas que já se escutaram, por aquelas mesmas palavras, aqui e ali (ora aqui está ainda mais outro título que não sendo ideal ainda assim seria mais apropriado). E é por se conseguir reunir essas palavras com fidelidade e por se conseguir retratá-las com autenticidade que este filme prima pela excelência.

O que daqui resulta?
Bom, uma pessoa meio "alienada" por títulos (é verdade...) ou nomes (pois... ironia) como eu se calhar numa próxima quando escutar novamente o nome do realizador/autor do filme se calhar vai pensar:
-"Opá, deixa cá apoiar o cinema nacional comprando um bilhete!"

















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Cartoon Network em PORTUGUÊS?

Para meu espanto e incredibilidade inicial, precisei de voltar ao canal que já tinha passado no zapping para me certificar que tinha escutado um boneco da série de animação "Dexter Lab" a dizer no canal Cartoon Network "O SEGREDO DE DEXTER".


O que é isto? Desde quando o canal Cartoon passa animações dobradas em português? Fui confirmar e lá estavam os bonecos dos desenhos animados que considero dos mais perfeitos para um adulto ver e se divertir, a falar em português. E claro, estranha-se. Muito. Porque se as vozes portuguesas se assemelhassem no timbre com as originais, ainda vá lá. Mas são tããããõooo diferentes que faz impressão. E o que sempre condeno nestas dobragens é quando no processo removem a graça contida na versão original. Dexter é um menino de poucos anos de idade que tem um tique na fala. Ele é um tanto pedante e arrogante nos seus raciocínios mas não passa de um menino que teme a irmã, tem medo e obedece aos pais. A maior graça de assistir é a forma como Dexter pronuncia os "Rs" quando fala e na versão portuguesa, claro, esta característica da personagem foi apagada. É mais fácil passar uma borracha do que estar a adaptar esta peculiaridade.

O desenho animado depressa chegou ao fim e de seguida surge o mítico Garfield. Também ganhou dobragem em português e também perdeu uma certa graça. Porque mais de metade da piada deste gato está também na sua voz original. O timbre português não se aproxima ao original.

Nenhuma informação surge sobre quem são os responsáveis pelas dobragens.


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Canal Syfy


Se existe um canal para exibir filmes xungas e muito maus, é o SYFY.

Não me interpretem mal: um bom mau filme é algo que de vez em quando sabe bem ver. Mas neste canal eles são para além de maus. São ruins! Mal dirigidos, pessimamente editados, maus enquadramentos, diálogos horríveis de dar vómito, com interpretações cliché de causar arrepios na espinha! Ver alguns destes filmes pode mesmo causar um mau estar irreparável.


Quase todos os filmes são sobre monstros ou animais gigantes que, como não podia deixar de ser, de toda a oferta nutritiva a seu dispor, querem é comer humanos. Principalmente humanas magricelas com mamas de silicone. Elas acabam sempre por ter de fugir das "feras" em biquini e quando mais precisam de correr é quando param e dão três gritos em plenos pulmões, ou de braços abertos mesmo em frente da "besta", ou com as mãos nos joelhos em convulsão de grito. Fazem tanto esforço para gritar que se diria que todas as energias se esgotam ali.

Eu que não tinha acesso a este canal estava contente por poder espreitar um pouco de ficção-científica, um género que aprecio mas que poucos filmes sabem realmente explorar. Porém SyFy é uma desilusão. Jamais alguém viu um mau filme até espreitar aqueles que passam neste canal. "Dinocroc vs Supergator", péssimo até às tripas - foi o que me fez vir aqui "expurgar" este mal que tentou infiltrar-se no meu cérebro.

O que torna imperdoável a existência destes maus filmes é, acima de tudo, o facto de poderem contar com recursos topo de gama - coisa que não acontecia antigamente. Efeitos especiais que colocam dinossauros a perseguir carros, crocodilos gigantes, piranhas, tubarões a cair do céu como chuva, tudo isto estes filmes têm. E com esse recurso fazem bosta. Bosta de diálogo, bosta de atores, bosta de interpretações, bosta de enredo. E por isso são imperdoáveis. Porque os "maus filmes" de antigamente estavam limitados nesse sentido e ainda serviam um propósito artístico. Eram uma expressão artística de alguém que tentou fazer alguma coisa, passar uma mensagem, contar uma história, mas por algum pormenor não foi bem sucedido. E por isso muitos são bons de ver. Não é o caso destes filmes syFy


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Autarquicas



Parece que o Porto vai viver um situação política nova, cujo desfecho vou ficar expectante a aguardar. Segundo as projecções, um candidato independente foi eleito pelo povo para governar a Câmara. Agora vamos ver como funciona isto de ser "independente". :)

E o que se passou nestas eleições autárquicas, que foram tão pouco esmiuçadas? A RTP passou a tarde a falar repetidamente das projecções exclusivas da sondagem da Universidade Católica, enquanto a TVI e SIC andaram a anunciar números de telefone para onde o público pode telefonar para tentar ganhar dinheiro. Foi assim.

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Terceira temporada de SEGURANÇA NACIONAL

É surpreendente como a TVI coloca no ar a série Segurança Nacional sem qualquer alarido de publicidade. Só pensam em novelas e mais novelas e por isso vão-se dar mal! Nas mãos com uma das melhores séries dos últimos tempos, decide colocá-la no ar nas madrugadas de quarta-feira! E o que é pior: pela indicação da linha da Zon nem a temporada nem o episódio vêm identificados. Não fosse ter visto as primeiras temporadas e não saberia que se trata da nova e esperada TERCEIRA.


Mas sabem que mais? Não vou ver. A falta de respeito e de consistência na exibição têm dessas coisas. Um dia alguém vai voltar a pegar nela e exibi-la correctamente. 

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Sessão Nostalgia CLÁSSICOS da TV

Graças ao fantástico youtube relembrei mais de duas dezenas de séries que em tempos vi com deleite. Algumas talvez tenham sido um privilégio de poucos na altura (década 80), pois devo-as ter visto no Sky channel ou mais tarde no super-channel ou outro canal semelhante que captava por parabólica. Muitas não recordo se também vi na rtp - pois só existia RTP, com legendas, ou se vi num dos 8 canais de satélite, sem legendas. Nem 15 anos tinha, mas eram uma maravilha de assistir. Para os que não viram, deviam ver. Deviam voltar a exibi-las. São tesouros. E o que é melhor: estão muito bem feitas, mesmo para os padrões dos dias de hoje. Quem AS viu ficou bem servido de boa televisão! (pobre geração de BBs...)


MR. ED (1961 - 1966 - CBS)



I LOVE LUCY (1951 - 1961 - CBS)
- Não era das favoritas mas dava para divertir -


O FUGITIVO (1963 - 1967 - ABC)
Esta lembro perfeitamente de assistir na RTP
Primeiro a preto e branco, depois a cores. 

Foi a primeira série "pastilha elástica" que assisti - pois já se adivinhava que em cada capítulo o protagonista acabava por escapar aos perseguidores. Mas era tremendamente empolgante e tinha viradas na trama que tornam até injusto que a integre na categoria "pastilha elástica" pois a trama estava bem escrita e por vezes fazia duvidar. "Como é que ele vai escapar desta"?. Partindo do pressuposto que Richard era injustamente perseguido, a série desenvolve-se em torno da sua incessante procura por provas da sua inocência, ao mesmo tempo que persegue o suspeito de ser o verdadeiro assassino: um homem maneta. O olhar sofrido, injustiçado e cansado do actor David Jansen conferiu à personagem muita autenticidade.

A história é baseada NUM FACTO REAL - o que a tornou tão mais apelativa. Se bem que a vida não foi tão simpática com o verdadeiro doutor Kimble, a quem assassinaram a esposa. Ele foi considerado culpado e só muitos anos mais tarde, já a ocupar um talhão no cemitério é que recebeu do estado dos EUA um pedido de desculpas e a exoneração.
Em 1987 sintonizava a televisão para ver isto, TWILIGHTZONE e HITCHCOK APRESENTA.


A QUINTA DIMENSÃO - P/B e cores
(1959 - 1964 )


E, claro, logo a seguir "OS LIMITES DA REALIDADE"
(RTP) 1963 - 1965


ALFRED HITCHCOK APRESENTA
Como eu vibrei a ver esta série! Alfred Hitckcock era simplesmente genial na sua forma de contar uma história e a apresentar. Mesmo no final ficava-se agarrado ao televisor para assistir à conclusão de Hitchcock - uma espécie de fecho moral e humorístico. 
Uma pessoa ficava a reflectir no que assistiu. 

E não consigo agora ficar mais tempo à procura de vídeos destas muitas séries, mas posso numerar mais umas tantas: CAROL BRUNET SHOW, BENSON, MAUDE, ALL IN THE FAMILLY, THE JEFERSONS, COSBY SHOW, DIFFERENT STROKES, PERFECT STRANGERS, WHO'S THE BOSS, CHEERS, THE FACTS OF LIFE, THE INVADERS, FAMILY TIES, "V", BUCK ROGERS NO SÉC. XXV, ESPAÇO 1999, O HOMEM DA ATLANTA, BATLESTAR GALACTICA, MANIMAL, STAR TREK, TAILS FROM THE KRIPT, FALTY TOWERS, THREE IS COMPANY, A-TEAM, MACKGIVER, SLEDGE HAMMER, TAXI, THE BRANDY BUNCH, UMA CASA NA PRADARIA, DALLAS, DINASTIA, O SANTO, A SUPER MULHER, THE STREETS OF SAN FRANCISCO, HAPPY DAYS, GET SMART - OLHO VIVO, OS VINGADORES, BEWITCHED - CASEI COM UMA FEITICEIRA, STREETS OF SAN FRANCISCO, THE RIFLE MAN, KUNG FU, MOONLIGHT (Modelo e Detective), DEMPSEY AND MAKEPEACE, VERÃO AZUL, I'LL TAKE MANHATAN, ALF, SOAP (brilhante novela), SARILHOS COM ELAS, NIGHT COURT, DEAR JOHN, etc, etc, etc...

Afinal, nem nomear todas que vi sou capaz, por enquanto. É tarefa dantesca! São tantas que se torna monótono descobrir todas. Lembro de algumas cujo nome me escapam como uma britânica em que duas crianças eram capazes de viajar no tempo ao descobrirem num jardim um relógio de sol (sun clock?), outra americana com um jingle que era o título da série em que uma família tinha um filho a crescer com a condição de trissomia 21, outra estrelada por Leonardo Di Caprio em criança que quase recordo o nome (Ah! Growing Pains) e são tantas que passaram nessa prolifera década de 80, que até parece que ao invés de uma estação de televisão, existiam dezenas! Para recordar os melhores jingles - alguns dos quais fui tentar reproduzir nas teclas do piano - aqui fica um vídeo que encontrei.



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Nada a Esconder - RTP (PERCEPÇÕES)

Um novo programa vai estrear amanhã, dia 5 de Junho, às 22.45h na RTP. Chama-se "nada a esconder", tem a silvia Alberto a dar a cara cheia de maquilhagem pelo programa e ao que parece pela curta e pouco específica "promo", o programa vai falar de PERCEPÇÕES. Ou seja: aquilo que uma pessoa julga ser com os outros e o que os outros pensam que ela é. A apresentadora define o programa com as seguintes interrogações

"Conhece-se bem? O que vê no espelho é o que os outros vêm? O que é que os seus amigos, colegas e família pensam, realmente, de si? (numa irritante e pouco natural pronunciação cheia de ênfases!) Descubra a diferença da percepção que temos de nós e a realidade. (continuando a falar de forma irritantemente pouco natural e já muuuuito ultrapassada em TV). No novo programa Nada a Esconder". 

Ui! Por esta promo já tenho taaanto a dizer! E sem ver o programa... Deve ser a tal da PERCEPÇÃO.
Ainda não estreou mas já existem umas quantas coisas erradas com o programa. Primeiro é passar num canal que já está morto mas se recusa a ser enterrado. Depois vai passar a meio da semana quando ninguém vai ver e num horário de muito depois do Vitinho - ou seja: entre um filme, ou mesmo a cama, a RTP a meio da semana para cativar o público cansado e sonolento põe um programa para fazer as pessoas pensar na IMAGEM que elas próprias passam para as outras. A sério?? Vão propor-se a isso a uma quarta à noite? Tudo bem... já estão mortos mesmo, podem continuar a cavar uma cova mais funda. : D
Outro erro mas o que fazer, é que são sempre os mesmos "bonecos" que vão para ali servir de rostos de apresentação. Silvia Alberto, Catarina Furtado ou a outra que quer andar sempre com o Baião e que foi mãe mas apressou-se a voltar para a TV antes que perdesse o lugar, a tal de Tânia Ribas de Oliveira. (PERCEPÇÕES - já que o programa trata disso começo já a dar as minhas).

PERCEPÇÕES - o tema interessa mas duvido que a abordagem valha a pena. O pequeno promo é cliché: um indivíduo enumera as suas qualidades (simpático, amigo, etc) e as pessoas que convivem com ele contradizem-no com exemplos. E, segundo o texto de apresentação dictafonado por Sílvia Alberto, isto é a "percepção que temos de nós e a realidade". Mas quem diz, para começar, que a realidade está na definição dos outros? Eu conheço quem sou, talvez os outros não me conheçam. Dah! Se realidade é viver conforme o que os outros pensam, então isso é uma coisa. A realidade é, nesta "definição", a forma como OS OUTROS nos vêm. Pois... está bem.

E já que é para abordar as diferenças de percepção - a forma como nos vemos e o modo como os outros nos descrevem - julgo que o mais correcto (pelo menos mais inovador) seria abordar o exemplo pelo não cliché mas muuuuito mais comum e, quiça, realista: algumas boas vezes a percepção positiva que os outros fazem de alguém está totalmente equivocada. É aquele colega de trabalho que goza de uma boa reputação e não faz um "corno", vivendo dos louros de sabe-se lá o quê, é também aquele indivíduo que todos, vizinhos, conhecidos, familiares e namorada dizem ser simpático e depois se descobre que afinal era ele o muito procurado violador de jovens mulheres em Lisboa, Ou os típicos casos de mulheres que casam com príncipes encantados, que têm tudo: simpatia, afabilidade, bom sexo, uma empresa, boa vida, dinheiro, afeto e depois descobre-se que de criaturas simpáticas têm muito pouco, mas precisam de criar essa "PERCEPÇÃO" em terceiros para conseguir viver de acordo com as suas ambições. Falo por exemplo, daquele homem simpático e colega de trabalho afável, senhor distinto, prestativo, carinhoso e amável que casou com a tua melhor amiga e acabou por a matar. Esse tipo de exemplo do que é a PERCEPÇÃO interessa-me muito mais. A percepção do EQUÍVOCO, também conhecida por: estavam todos ceguinhos! É menos cliché e mais realista, a meu ver, pois não creio que a maioria das pessoas saiba realmente detectar com quem estão a lidar assim com tanta facilidade. A maioria COMPRA o que lhe vendem. Geralmente, pela minha PERCEPÇÃO, quem anda a VENDER não tem boa coisa para oferecer... E qual o malfeitor que se vende por aquilo que é? Hum, algum político faz isso??

máscaras, cada um vê o que quer
Eu sei, por exemplo, que a percepção que os outros fazem de mim não bate sempre toda certa com o que sou. E daí? A vida é isso mesmo. Prefiro lidar com uma pessoa assim do que com aquelas que todos dizem ser uma simpatia e o convívio vai dizendo o contrário, revelando invejas, azedumes, maledicência... Irra! Prefiro uma pessoa que é tímida para dar os bons-dias a uma que os dá aos gritos e logo a seguir espeta-nos uma faca nas costas indo falar mal de ti nos ouvidos de alguém. Cada caso é um caso, mas digamos que, para mim, a PERCEPÇÃO está mais DENTRO que FORA. Não são os outros que dizem o que uma pessoa é. Aliás, no mundo artístico em que a bajulação e a histeria por celebridades existe em massa, sabe-se que o artista muitas vezes se perde naquele "folclore" todo sem saber ao certo quem é. Não sabe se é o que os outros DIZEM que é ou DEVE ser do que é de verdade. Elizabeth Taylor disse-o mais ou menos assim: "Interessa é saber distinguir quem eu sou de quem os outros pensam que eu seja". Uma mulher inteligente.








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O RACISMO na TV

Estou a rever alguns episódios da série "O príncipe de Bel Air" a qual, como muitos se devem recordar, foi a rampa de lançamento da carreira de Will Smith na década de 90. A história relata a ida do pobre rapaz Will, que cresceu no getto (interpretado por Will) para a mansão do tio juiz e rico. Na mansão a vida decorre com todos os clichés que o pobre julga ser a vida de rico: têm um mordomo trajado com fraque que fala com pronúncia esquisita, mantém uma postura altiva, usa luvas brancas e é supostamente culto. Os tios ricos praticam bridge, frequentam o clube, são influentes e respeitáveis membros da sociedade. O que isto tem de interesse ou novidade? Nada. O detalhe da série e a razão pela qual a mesma foi feita é este: esta família é negra.

Ao longo dos episódios com bom humor e algumas boas tiradas, observam-se porém uma fraqueza de enredo tremenda mas, o que a meu ver parece aborrecido é que a série não é inovadora em nada. Ela propaga os clichés e continua a repetir ancestrais noções racistas, ao imitar e perpectuar as mesmas. 

Esta série continuou a reforçar clichés
de diferenças entre cores de pele
Ora, o que é que é isto de "perpectuar o racismo"? Bom, é a necessidade, por exemplo, de mostrar um grupo inferior ao outro. É abordar um tema com pouco realismo para beneficiar um dos lados e acima de tudo manter essa noção de que existem dois lados, dois "rivais" e competidores. É sentir a necessidade de incutir superioridade a uns e deixar outros menos bem vistos. Na série, uma parente distante decide casar-se com um homem branco. Estava aqui a oportunidade ideal para abordar bem a questão, não esta é tendenciosa e superficial. O "homem branco", nunca é bem branco, mas um que tem a ascendência mais para o branco que para o negro. Quando surge uma personagem branca em cena, ela é uma subordinada apatetada ou mesmo idiota e não fica no ecrã durante muito tempo. Até nos trajetos a querem bronca. E isto não é, de todo, uma linha que se afasta dos clichés. É mais "retaliação", uma espécie de "tomem lá" que pega em todos os clichés que supostamente caracterizaram os negros em TV durante um período de tempo e fez-se uma reversão de posição. Isso  é mais dos mesmos erros e não vai mostrar as pessoas negras como outras quaisquer brancas, azuis, amarelas, mas como algo "patetas" por querer imitar em tudo o «estilo de vida rico e branco». Uma vez com poder e dinheiro, afinal, são iguais, preconceituosas e tais...

Bom, mas lembro sempre de uma série feita muito antes desta que essa sim, era maravilhosa e ainda hoje considero-a intemporal: "All in the Family", que deu origem a outras como os "Jefersons". Esta sim, uma série séria, real, verdadeira que abordou o tema do racismo no tempo em que ele ainda decorria muito mais vincado na sociedade americana. E nesta série, o racismo não ficou pelas duas cores: preto e branco. O racismo e o preconceito foi elaborado, esmiúçado, revelado. O "racista" do programa, Archie, o chefe de família com origem na classe baixa operária, teve de começar a trabalhar cedo em criança para ajudar a família e teve de abandonar os estudos, é preconceituoso e racista. E tem um genro do qual supostamente não gosta por ter ascendência estrangeira e uma filha progressistas, muito modernos e activistas das causas sociais. Ele não gosta, mas os sustenta. E à medida que avançamos na história percebe-se que estes seus preconceitos e atitudes racistas são mais criações culturais do que sentimentais. Percebe-se, até, que os liberais dos jovens têm momentos em que acabam por ter algum preconceito. Percebe-se que tanto existe preconceito e racismo de um lado, quanto do outro. E temos aquelas mulheres, sensatas, subalternas quase no seu papel de domésticas, mas umas grandes lutadoras que mantêm a harmonia do lar e a lucidez nos momentos de confusão.


Os Jefersons foi uma série norte-americana sobre o
quotidiano de uma família negra em ascensão social
De todas as séries alguma vez feitas que abordam o preconceito do racismo, Os Jefersons, uma spin-off da série All in the Family, tirou a família negra da série para a colocar numa outra, por si protagonizada. Os Jefersons na série All in the Family são os novos vizinhos que se mudam para o bairro de Archie. E são negros. Isso gera zum-zum e protestos num bairro até então só de brancos. Mas enquanto os burros urram, a família instala-se. Eles começam por possuir uma lavandaria que cresce tanto, que acabam por se mudar para a alta da cidade, para a zona dos ricos - e é aí que surge a nova série. Fizeram mais estas duas séries pelo tema do racismo, estas duas da década de 60 e 70, do que "O Principe de Bel Air" fez 20 anos depois. "O principe" é, em muitos aspectos, um retrocesso. Mostrou uma família negra com poder económico (não foi a primeira) mas foi só. Agarrou-se aos esteriótipos e inverteu-os. Mas não fez NADA para não propagar preconceitos.

"The Fresh Prince" aposta forte e feio na capacidade humorística de Will Smith, deixando os restantes algo secundários. Tanto assim foi que... o que é feito deles? Eu em particular, tinha uma simpatia grande pelo actor que fez de Carlton. Achei-o visivelmente talentoso e com muito bom timming para comédia. A primeira "tia" também tinha bom timming, percebo-o agora. É um dos problemas das séries estreladas: outros podem ficar na sombra. Mesmo quando já têm carreira e reputação construída. Mas isso é como em tudo... uma carinha laroca e jeito solto agrada muito o público e depois os estúdios fazem as suas estrelas. Will tem talento. Isso ficou visível de imediato na série, mas outros também o tinham... 
Ainda que pela parte do tema do racismo seja catastrófica por perpectuar clichés e humilhar a raça inversa à protagonista, a série vê-se com deleite. Entre situações clichés uma ou outra tirada muito bem dada faz rir com gosto e algumas personagens são realmente cómicas. 





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Jay Leno (+TVI)


Descobri o Tonight Show com Jay Leno em 1996 e desde então nunca deixei de gostar da apresentação e do programa. É um talk-show apresentado por um comediante, com pequenas graçolas introdutivas, algumas observações humorísticas sobre artigos colocados nos jornais e entrevista a dois convidados. Jay Leno faz tudo com naturalidade e leveza. Nada parece forçado como no caso do ruívo e patético Conan O'Brien, com quem existiu um problema com a NBC quando a estação preferiu estender o prazo de apresentador de Jay no programa, quando Conan lá estava fazia anos a aguardar a vez, como um cão esfomeado. Este acontecimento deixou Jay mal visto (vai-se lá entender porquê) e levou a que Conan fosse demitido da estação porque, como mau perdedor e com pouca piada e fair-pay, ressentido, ele decidiu insultar e provocar a Estação no programa que lhe cabia apresentar: The Conan O'Brien Show

Nem posso enfantizar o quanto acho deprimente o comportamento de menino mimado Conan. Até porque nunca lhe identifiquei especial talento e sim, muito egocentrismo. É o tipo de artista que não me diz nada e me faz mudar de canal por querer tanto ser artista pelos motivos errados e o revelar em tudo o que faz. Conan é como um Herman José ou um Malato: conseguem manter longas conversas monólogas todas começadas pelo tema "EU".

Conan fez a estação ter de desembolsar milhares de dólares por adquirir para o seu programa um automóvel topo de gama caríssimo e ter colocado no ar durante bastante tempo música com direitos autorais pagas a ouro. Depois tirou um ano de "sabática", até uma outra estação ter aproveitado a polémica e a celebridade que isso trouxe ao egocêntrico apresentador para transportar um pouco desse zum-zum para a sua estação. Conan foi para a concorrência, concorrer no mesmo horário que Jay Leno e, mais uma vez, perdeu. Perdeu feio, tal como em termos de audiências perdia também na NBC.

O mercado americano é tão grande que não se entende porquê tanta cobiça por um só osso. OK, pode ser o osso mais desejado do mundo de cão que é o show-bizz, mas continuo na minha que os meios não justificam os fins. 

Em 1996 encontrei um Jay Leno cheio de piada, conseguia entender coisas que se passavam longe da minha realidade sem mesmo ter antes escutado sobre elas, tudo graça às introduções humorísticas do comediante sobre política, escândalos e demais temas, nacionais ou não, que decidia humoristicamente abordar. Era um Jay muito mais moreno, nos cabelos, mas igualmente charmoso e com um talento inato. Uma coisa que sempre admirei nele é que naquele que é o seu programa e no qual outros no seu lugar são de uma prepotência e autoritarismo extremo, Jay sempre se mostrou mais terra-a-terra e deu espaço para qualquer outro brilhar. Mesmo os convidados mais ariscos ou provocadores. Jay dá espaço em prime-time, no cobiçado prime-time, para cada um deles conseguir ser visto por milhares de pessoas e receber convites de trabalho. Ver a relação dele com o seu baterista de banda (ao vivo) Kevin Fairbanks progredir deu para perceber isso mesmo. Por vezes não se entendia se as picardias entre os dois eram somente algo escrito no guião para ter piada ou se era algo mais, porque Fairbanks por vezes era espontâneo a interromper Jay para lançar uma farpa para o atingir. E o humorista, sempre, sempre, soube dar troco a qualquer um que lá fosse tentar a sorte recorrendo à provocação. Fairbanks deixou o programa faz alguns anos para se lançar numa carreira de músico a solo. Rumores de desentendimentos circularam mas a verdade é que foi vê-lo, à meses, regressar ao programa como convidado e o que vi foi uma imensa gratidão pela oportunidade de se divulgar como músico a solo no prime-time do programa do Jay Leno. Agradeceu muito, agradeceu a Jay por este se recordar do aniversário dos seus pais e telefonar-lhes a dar os parabéns e perguntar por ele. E lá está: se existiu alguma coisa pendente, ficou resolvida com aquele convite, que mais não foi que uma oportunidade para um Kevin Fairbanks agora sem os fortes holofotes do prime-time em cima de si, poder ter um novo fôlego na sua carreira a solo. 


E o que eu ri com Jay! As suas "headlines", a forma como responde a uma provocação dos convidados sem retaliar com maldade. E acima de tudo, a forma como os deixa falar, os sabe escutar e deixa a conversa fluir, na descontra. Tudo o que alguns pseudo-apresentadores nacionais com "séculos" de carreira que gostam sempre de auto-proclamar, estão a ANOS-LUZ de sequer apreender.

Não importa se Jay sairá do programa ou não. Eventualmente é isso que está planeado e ele próprio faz piadas (com piada) sobre essa possibilidade. Mas a verdade é que a estação NBC tem medo. Medo que o programa seja o Jay e não o contrário. E na minha modesta opinião, Jay será sempre um programa, vá parar onde for parar. Com ou sem televisão, será sempre o que foi todos estes anos: excelente naquilo que faz!

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As Brasileiras - (TV Globo Pt)


As Brasileiras é uma série brasileira da TV Globo com cerca de 20 minutos de duração e todos são uma delícia. Em forma muito compacta, vários temas sobre o amor são abordados de forma autêntica e  completa. 

Embora alguns episódios sejam algo parecidos porque se baseiam em histórias de amor que mete ciúmes e equívocos pelo meio, os finais são todos felizes e tudo é relatado com verdade mas num tom ligeiro e algo cómico, aquele que mais me conquistou pela qualidade de conteúdo foi o de hoje, o episódio 13 da série 1 que aborda o tema do lesbianismo. Fá-lo através do exemplo de uma mulher viúva na casa dos 60 anos que já criou os seus quatro filhos e vive sozinha na sua fazenda quando decide chamá-los para comunicar que voltou a se apaixonar, por uma mulher. A forma como cada um dos filhos recebe e lida com a notícia está muito bem espelhada. A riqueza da história é o recurso a um narrador, cuja voz serve de "grilo cantante", o tal da consciência, que vai colocando os pontos nos "ís" quando tudo ainda é confuso. A junção da "voz da sabedoria" do narrador com o desenrolar da história promove um entendimento que centenas de conversas, debates e manifestações por mais que se esforçassem, talvez não atingissem tão facilmente. Vale a pena por isto espreitar "As Brasileiras". São apenas 20 minutos, histórias sérias contadas de forma verdadeira porém ligeira e humorística. Uma "pequena pílula" de vitaminas televisiva. 


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A volta do Big Brother, versão «famosos»

Se há um programa que não pretendo colocar os olhos em cima é este "Big Brother Famosos".
Se o que uma revista (TVGuia nº1786) avança como participantes é verdade, com perdão da palavra mas: existe demasiada merda por metro quadrado para aquilo não empestar, ainda que à segurança da distância de um monitor de TV.


O formato já é o que é, mas dar protagonismo à ralé é do pior que existe. Venham os anónimos, ao menos esses tentam captar a experiência ilusória do "lugar ao sol" sem terem noção de como as coisas realmente são, agora estes «famosos» chafurdam na lamacenta aparência da «celebridade» há tempo demais. Já se lhes conhecem os podres. E é impossível compactuar com esta ralé que ali está a ganhar muito dinheiro para fazer coisa alguma. Dar audiências a isto é passar a mensagem errada, é quase rir de desprezo da situação actual que o país atravessa, em que tantas pessoas estão a passar fome! 

Desculpem alguns, mas levam por tabela pela maioria. Só por aceitarem se misturar com essa gente, já não são bons de certeza. E depois tem ainda o agravante de existir demasiadas coisas montadas para o espectador 'engolir» como verdadeiras. Para ver ficção pura, prefiro actores que eu goste e não pseudos cuja medula moral seja nula, inexistente.

Não tenho dúvidas que o profissionalismo de Teresa Guilherme a fará dedicar-se a mais uma apresentação com total afinco, mas a bosta cheira demasiado mal. Existem limites para o que se lança na TV. Para mim existem uns tantos logo aqui. Fedor por fedor, antes o do país, ao menos esse cheira menos mal que a podridão plástica e falsa ditadora-moralista que vai pisar o cenário do Big Brother, a troco de holofotes e muitos euros. Jamais poderia estar de acordo com tal coisa. 

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A família Bellamy



"A família Bellamy" (Upstairs-downstairs) não é uma série nova, oh não! Foi feita nos anos 1970-75 mas ainda assim, esta soberba série que começa no início do século no qual muitos de nós nascemos e do qual nos despedimos há 12 anos, ainda vai atravessar a primeira guerra mundial e também ultrapassá-la. É a melhor coisa a passar na televisão actualmente

Bom, diria-se, pelo retrato detalhado da época Eduardiana (UK, 1901-1910), que a série é uma adaptação de uma obra literária qualquer, mas NÃO. Na realidade, a série deu origem a obras literárias. Tem essa característica tão singular também a torná-la especial entre as demais. Upstairs-Downstairs, a passar na RTPMemória aos fins-de-semana, é uma ideia original de duas actrizes britânicas e remota ao final dos anos 60. Mas se pensam que isto a torna antiquada, oh, como estão enganados!


Ver a “Família Bellamy” é reflectir constantemente sobre a humanidade. O ser humano é o que está a ser retratado nesta série que mostra o quotidiano de dois núcleos distintos: uma família abastada e os empregados que a servem, na época de entrada do séc. XX, que marca o fim do reinado da Rainha Vitória de Inglaterra. Quando a Índia era uma colónia britânica e lutas eram travadas alem-mar.

É um fascinante retrato de pessoas, deveres, responsabilidades, orgulho, papéis sociais, sociedade, etc… Tem personagens verdadeiramente ODIOSAS (Elizabeth, Arthur) e outras que estão sempre a surpreender e nada, mas nada é estereotipado. Cada uma é profunda e com muita história para contar. São feitas referências a hábitos da geração anterior, educados na época Vitoriana, como por exemplo, o uso do espartilho ser essencial a uma senhora. Vemos o sistema de comunicação de sinos e campainhas utilizados entre patrões e empregados ser substituído pelos fios eléctricos, e o gás dar a vez à eletricidade. Uma sociedade diferente nos costumes e, no entanto, tudo é tão igual ao que sempre será e ao que ainda é hoje.


Chorei ao ver os capítulos que foram para o ar neste último fim-de-semana. Nenhum criou uma situação trágica ou de choro. Apenas retratou realidades tão transversais no tempo que suscitam emotividade. Como por exemplo o relato que a Ms. Bridges, a velha cozinheira, faz sobre o momento em que começou a trabalhar naquela casa, mais de 30 anos antes. Conta ela que os patrões nem reconheceram o seu esforço na preparação de um molho para o jantar, pois era apenas ajudante de cozinha e teve de substituir subitamente a cozinheira que caiu morta no chão. Os patrões mandaram o molho para trás, argumentando que estava com grumos, ao que a cozinheira conta: “Como não havia o molho de ter grumos se tivessem de o preparar diante do olhar gelito da defunda caída ali no chão?”. 

Outra situação é o nascimento de uma criança, o que conduz ao chamamento da ama que criou todos os bebés naquela família. A senhora, que começou menina mas que estava já idosa, havia perdido capacidades cognitivas e de coordenação, mas recusava-se a admiti-lo porque ser AMA de bebés foi o que sempre definiu a sua existência e a utilidade que tem na vida. Ver a senhora idosa a reclamar dos costumes terem perdido o rigor de outros tempos ao mesmo tempo que tenta estar à altura dos mesmos é, a meu ver, bastante emotivo. Saber que a cozinheira ou qualquer empregado trabalhava até morrer, é emotivo. E daí dizer que esta é uma série que retrata essencialmente, o ser humano.

Seria um erro julgar que a série cai no retrato estereotipado dos patrões arrogantes que não têm consideração pelos empregados e que esta cozinheira não gosta do que faz nem dos patrões que tem. Neste período a sociedade tinha hierarquias melhor definidas, onde as funções de cada indivíduo estavam bem organizadas e, como tal, para se chegar a cozinheira digna desse nome, começava-se por baixo e só com provas dadas de qualidades especiais é que se progredia. É o mesmo que se passa hoje com quem quer chegar a chef. E a mágoa que a cozinheira sentia por ver um prato por si confeccionado não ser apreciado, suspeito que é equivalente. A diferença é que na altura qualquer insatisfação por parte dos patrões podia dar motivo a despedimento e o medo dessa consequência e a resultante miséria fazia o empregado ralar-se mais. Também, os pobres trabalhavam muito e ganhavam pouco, não conseguindo nem sobre extrema poupança e  no final de suas vidas, juntar dinheiro suficiente para o que fosse. Hoje e graças a sindicatos e afins, é o oposto. Numa cozinha actual, o chef é a maior autoridade e é o único que se pode dar a ares de arrogância e prepotência, que pode humilhar e subjugar os subalternos e ganha balúrdios de dinheiro, não temendo tanto o despedimento, mas fazendo com que temam que se demita. Diferençazitas… enormes.  

Entre os retratos sociais, existe também uma descrição das mudanças tecnológicas e comportamentais. A electricidade que veio a substituir o gás na iluminação das casas, os fios que faziam campainhas tocar que passaram a ser eletricos e todas as regras domésticas, desde a forma como se deve manter e tratar de uma casa, aos empregados de que necessita, à limpeza das superfícies, ao engomar dos tecidos, à confecção da comida, à preparação da mesa ou das toilettes. Todas as funções serviçais estão ali retratadas com primor, não fossem estes os principais inspiradores que motivaram a criação desta notória série. 


No que respeita a comportamentos, Elizabeth, a filha do casal Bellamy, prepara-se para entrar na maioridade ao completar 21 anos. Julga-se, como habitualmente os jovens se julgam, mais liberal que os pais, mais certa das suas convicções. Mas é um exemplo raro de pedantismo disfarçado de revolucionarismo. Quer ser liberal, julga-se assim, pretende quebrar com as regras da sociedade, ser amiga dos empregados, mas acaba é fazendo uma grande confusão, existindo mesmo episódios em que destrata o semelhante e desrespeita os empregados tratando-os com petulância e altivez. Ela é tão rebelde que foge de casa para se juntar a um poeta recusando-se em reconhecer qualquer utilidade no casamento. Deixa de falar à mãe, revolta-se contra os pais, sem perceber que os faz sofrer.
Elizabeth mostra-se indiferente à filha
Acaba casada com o poeta revolucionário, mas a vida dá-lhe uma lição inesperada: afinal, o poeta revolucionário não é tanto assim, nem as coisas são tanto assim, nem ele é muito chegado a mulheres como aparentava. Elizabeth acaba por engravidar de um conhecido do marido, numa situação gerada com primazia, pois tem a cumplicidade dos três. Depois de ter a criança também não parece muito satisfeita com isso. Enfim, Elizabeth é como inicialmente retratei: uma personagem que como as outras tem muita profundidade, mas o mais interessante é que tenta ser o que não é e revolta-se contra os que supostamente são aquilo que considera errado, acabando por fazer o que critica.

Para não mais me alongar, resta revelar que esta encantadora e didáctica série durou cinco temporadas e se todas tiverem a mesma qualidade, é sem dúvida, uma série imperdível para qualquer apreciador de bons momentos televisivos. Em 2010 a BBC_one voltou a filmá-la, com novas personagens, ambientada no ano de 1936 mas situada no mesmo endereço Londrino: 165 Eaton Place.


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Quem é quem nas CASAs dos SEGREDOS



Onde já vi este antes? Há, pois foi...  :)


E porquê?
Cláudio e Jessica são os novos JoãoM e Fanny. Uma aproximação interesseira por jogo, ele de sexualidade dúbia a querer dormir na mesma cama e ela já a revelar um carácter para o ciumento na sua primeira prestação no confessionário. Ele confessou ser "um cubo de gelo, não me vais conseguir derreter. Sou bastante gelado" - palavras que também saíram da boca do efeminado JM. Ela por sua vez retorquiu: "Cala-te! Andas aí com todas. Não tens vergonha"! Veredicto dos dois quanto a um possível romance: "Somos só amigos".

(onde já se ouviu e viu isto antes, não é mesmo??)

Nuno é Teresa. Ainda  não se sabe bem o jogo dele, para já é simpático com todos tal como foi a estratégia de Teresa, dá-se com ambos os grupos e é todo charme para uma rapariga. Em comum têm também um segredo familiar de "coitadinho".

Wilson é Paulo - embora ainda seja cedo para se saber, tem já em comum com o concorrente achar-se o mais esperto de todos, não aguentar bem a pressão, ser algo intriguista e com postura de injustiçado, sempre analítico e exibe uma enorme adoração por si mesmo cada vez que leva dinheiro ao bolso.

Sandra é Cátia, tirando aquele gosto por homens, foi para o confessionário disposta a interpretar o papel cómico. Está disposta a transformar qualquer assunto em comédia e ansiosa por arranjar bordões e cair no gosto popular.

Mara é Daniela S.  -  embora seja ainda  cedo, ambas parecem ter em comum uma capacidade para manter a calma sobre pressão e uma capacidade de raciocínio inteligente.

Alexandra é Susana  - ainda não sei se é um zero à esquerda com as tarefas domésticas e se também faz  um escândalo quando parte uma unha, mas tem em comum com a antecessora a agressividade e a ver vamos se aquilo de querer dar-se bem com "ambos" os lados falando mal de uns e outros irá repetir-se. Em comum têm o ex-namorado na casa e tal como a antecessora, não quer mais saber do ex mas faz cenas de ciúmes. Insinua-se e está sempre atrás de atenção.

Ruben é Marco  -  tem a namorada na casa tal como o ex-concorrente, além de algumas parecenças. Ao contrário do outro diz que traiu a namorada, porém não parece ser verdade. No dia a dia é verbalmente agressivo com ela, o que o faz parecido com Marco. No confessionário pede desculpa e diz que não ouviu bem e como também já protagonizou uma cena de edredon, em comum tem também o sentido da frase: "O que conta não é a duração, interessa é a qualidade". :)

Hélio é Pedro, embora pareça mais jogador e mais inteligente, é também amigo dos amigos, tranquilo sem levantar polémicas e um bom comilão. Só não tem em comum o ter a namorada na casa (ainda bem!).

Petra é Sónia, porque está sempre insatisfeita e a refilar com  algo ou alguém, num tom de voz irritante. Parece pouco paciente e ferve com pouca água, o que é tão contraproducente com a profissão de professora de crianças!  :)

Bruno é a cara escarrapachada de Miguel. Sem tirar nem por. Ambos "se acham" o Tarzan da selva, uma bênção para as mulheres, grandes conquistadores e depois no confessionário não dão nada. Frase que revelaram ter em comum: "Tranquilo, tranquilo".  Brrrrr!!
Adivinho que terá e irá unir-se a Sandra para ter algum bom protagonismo e manter-se à tona.


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