Estou a ver a cerimónia dos Óscares 2015, que a SIC está a emitir em deferido, neste instante.
Abertura: Nada fantástica como entretenimento. Neil Patrick Harris está lá no topo da minha consideração como artista completo (é malabarista, dançarino, bom ator no drama, comédia, musical) mas não tem voz para suportar aquilo.
Meryl Streep: Sim, merecia um óscar. Só pela forma como apresentou os artistas que faleceram. Ao contrário do texto anterior, debitado com sentimento mas sem a transmissão do mesmo, Meryl, que não é à toa que é muito oscarizada, conseguiu que cada uma das suas palavras fosse sorvida com gosto. E começou: "Joan Didion disse no seu livro de memórias: Se nos falta uma certa pessoa, o mundo inteiro fica vazio". Lá fui eu pesquisar no google quem foi a senhora, à medida que reflectia nas palavras pronunciadas por Streep. É a forma como as transmitiu que permite isto... "Garçon", Mais um óscar para ela, sff!
In memoriam: A minha surpresa ao perceber que James Garner era vivo todos estes anos! O julguei da "velha" guarda de Hollywood... talvez falecido nos anos 80/90... Como as estrelas, mesmo as que têm um lugar no dito passeio, podem morrer no esquecimento durante anos e anos, mesmo estando vivas em carne e osso. O mesmo para Bob Hoskins, que fez o filme Quem tramou Rogger Rabit. Faleceu e neste tempo todo desde o filme de 88 pouco se ouviu falar dele... É triste. Recebem, contudo, esta última homenagem. Muitos ali na plateia, também terão a sua vez. Não sei quanto aos outros, mas me comove quando vejo um rosto jovem, mais do que um rosto mais vivido. Acho que se entende porquê. Se bem que James Garner, por exemplo, surgiu numa fotografia dos seus tempos de juventude, tendo falecido com 86 anos. mas quando se vê os nomes e rostos de figurinistas, artistas do som, designers e documentaristas, ainda a aguardar receber imensas rugas, é um mais triste. E pensamos: "o que se terá passado?" Acidente? Doença? Ohhh....! Sente-se um pesar. Também não entendo porque deixam uns mais tempo no ar do que outros. Porque é que Richard Atemburgh teve de ter tanto mais tempo que fez com que alguém ali perto decidisse, isoladamente, aplaudi-lo? E porquê o silêncio? Não devia ser o momento preenchido pelos últimos aplausos?
O que foi aquele exagero de aplausos e longevidade por causa de uma música que aborda a marcha de Selma? Sim, Marther Luther King lutou por igualdade e sim, ele era negro... e convertido ao islão, já agora. Mas o que isso tem a ver?? Porque é que a COR continua a ser atirada para aqui como uma bandeira? E as igualdades, onde ficam, quando se faz tanta diferenciação aos negros? SIM, onde fica a igualdade, os outros? Os índios, os latinos, os cor-de-rosa às bolinhas?
E os artistas que compuseram a música ganham o óscar seguinte. No discurso, todo «activista», dizem: "Há mais homens negros detidos hoje do que quando havia escravatura em 1850". LOL! Então... que é isto? Que comparação é esta? E os outros encarcerados, não têm direito a estatísticas porquê? E que tal contextualizar antes de se fazerem estas afirmações-carimbo? Que tal explicar que se existem mais NEGROS presos hoje isso se deve à tão almejada LIBERDADE. Sim, porque agora cada um é livre de tomar as suas decisões, de escolher o seu caminho. Se esse caminho foi dar à prisão, se calhar, ou melhor, de certeza que é porque não souberam dignificar e honrar a liberdade que muitos se sacrificaram para lhes dar. É até insultuoso, se formos a pensar assim. Ponto dois: é claro que hoje existem mais presos que no tempo da escravatura. Mas nem é preciso um diploma na parede para entender porquê. Primeiro ponto: A LIBERDADE. Cada um é livre mas tem de respeitar a igualdade das leis. Não respeitando a liberdade dos outros, nem a lei sobre as quais todos se regem, é-lhes tirada a liberdade. Não deve ser porque são «negros bonzinhos», já que tanto querem diferenciar os presidiários por raça. Segundo ponto: no tempo da escravatura a função do escravo era trabalhar, não era ficar preso. Preso iam os acusados de crimes graves, verdadeiros alguns decerto, outros não. Mas o escravo era um investimento, caro, e por isso não era deixado ir para a prisão sem mais nem menos. Dava prejuízo. Entendido, ou senhores da «propaganda» que não mudam o disco e não tocam a mesma marcha que aconteceu há 50 anos?
Muito alterado e imediatamente identificado como"efeminado", subiu ao palco um homem com rosto de rapaz, para agradecer um óscar. "Oh, meu deus" Ai, ai! Traquejos na mão, gestos femininos e depois um discurso emocionado, dirigido a si mesmo e fazendo referencia ao que a linguagem visual já estava a dizer: "Aos 16 anos tentei suicidar-me porque achava que não pertencia a lugar algum... e agora estou aqui! Quero que isto sirva de exemplo aos que pensam que não pertencem a este mundo. Continua a ser estranho e quando for o teu momento de estar neste palco, transmite a mensagem!"
Prémio para melhor ator: bem entregue, suponho. Ainda mais pela reação do jovem que interpretou Steven Hawkins.
Acho que Juliana Moore vai querer fazer concorrência à Meryl Streep. Vale-lhe o humor, as graçolas e o ter sublinhado que não existe «uma melhor atriz», por todas serem boas. E fez um discurso interessante e emocionante. Agradeceu ao marido e aos filhos por lhe darem "um lar". Todos os artistas precisam de uma âncora, certo?
Sean Penn, uma pergunta: porque é que foi mascarado de Hitler?
Birdman: Nota positiva ao diretor que mencionou que aquela (EUA) é uma «nação de emigrantes». Estava a pensar nisso mesmo. Não existe uma situação mais obvia de universalidade do que um filme. Existem pessoas de todos os credos e origens atrás de um filme. Atrás, à frente... ali não existem preconceitos, ou muito dificilmente uma equipa de produção pode diferenciar os profissionais que emprega, uma vez que quer os melhores, procura criatividade, inovação. Até um português contribuiu para os cenários do filme BUdapeste Hotel. E já tivemos também uma portuguesa a fazer efeitos especiais em grandes filmes. Temos o ator portugues Diogo Morgado integrado em produções americanas. Ou seja: ali é realmente um mundo sem credos, sem preconceitos. Por tudo isto é que não aceito esta pressão de "boicote" porque não existe uma satisfatória «percentagem de negros», ou porque a prisão está cheia deles... What? Porque pedem tratamento especial? Não entendo. Por tudo isto gostei do discurso do diretor (mexicano) de Birdman. Sem propaganda.
E aqui terminou esta compilação da cerimónia. Não vi o apresentador despido, só de cuecas, pelo que presumo que alguma coisa foi cortada.... Conclusão final: não gostei. Para uma cerimónia que se quer grandiosa, se o foi, esta compilação transformou tudo numa coisa qualquer, sem despertar grande interesse.
E a transmissão da cerimónia fica melhor com a SIC ou com a TVI?
Façam os vossos diagnosticos.



















